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O vídeo do norte americano George Floyd sendo abordado por policiais brancos de forma brutal, que veio a causar sua morte, chocou o mundo. O crime aconteceu em Minneapolis no dia 25 de maio de 2020. Floyd foi estrangulado pelo policial Derek Chauvin, que ajoelhou-se em seu pescoço durante uma abordagem por, supostamente, usar uma nota falsa em um supermercado.

Após esse crime bárbaro cometido por oficiais, uma onda de manifestações tomou conta de diversos países, inclusive no Brasil, denominado de movimento “Vidas Negras Importam”. Mas, infelizmente, o racismo é algo que está presente há anos. Uma das raízes desse movimento atual aconteceu em 1991, quando um encanador filmou o primeiro vídeo viral do mundo de brutalidade policial contra negros. O vídeo mostrou o brutal espancamento de Rodney King por vários policiais, em Los Angeles, Califórnia. Na época, a raiva pela situação acabou se tornando uma onda de protestos, após a justiça aplicar penas brandas para os policiais acusados.

O racismo ainda está muito presente por todo o mundo. Diante do atual momento, onde a pauta ganhou ainda mais força com a tragédia envolvendo Floyd, é importante buscar entender como o racismo foi construído. Para te ajudar nessas reflexões, separamos 6 filmes com essa temática para você assistir no conforto do seu celular nessa quarentena, seja pela Netflix, Amazon Prime ou Telecine Play.

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Amazon Prime

Green Book: O Guia

Essa produção dirigida por Peter Farrelly e vencedora do Oscar de Melhor Filme em 2019 conta a história real de Don Shirley, interpretado por Mahershala Ali e Tony Lip, interpretado por Viggo Mortensen. Green Book se passe em 1962, quando Don Shirley, um pianista mundialmente famoso, precisa fazer uma turnê pelo sul dos Estados Unidos.

O problema é que, como todo mundo, os Estados do Sul dos EUA eram e ainda são, altamente racistas. Por isso, Don Shirley precisa contratar não só um motorista para levá-lo, mas também um segurança. E é aí que Tony Lip entra, pois ele atua nessas duas funções, de chofer e guardião. A partir daí que o enredo se desenrola e começam os problemas na viagem devido à segregação racial.

Esse filme mostra a perversidade e o terror vivido pelos negros americanos durante a segregação racial. O nome do filme vem do livro The Negro Motorist Green Book, escrito por Victor Hugo Green. Nesse livro o autor tentava oferecer aos viajantes negros informações para que situações perigosas e constrangedoras pudessem ser evitadas.

Mas o filme vai um pouco mais a fundo, mostrando um homem branco, de origem italiana e com toda uma vivência e histórico racista, convivendo diariamente com um negro e conseguindo enxergar o quão seu preconceito é sem base e vazio.

Assim, a história do filme evidencia que qualquer tipo de preconceito é intolerável e basta apenas conhecer melhor o que um racista tanto nega para ele próprio compreender que suas atitudes são deploráveis.

O Mordomo da Casa Branca

Esse incrível longa-metragem, lançado em 2013, conta a história real de Eugene Allen, interpretado pelo premiado ator Forest Whitaker. O enredo se começa em 1926, na Cidade na Geórgia, Macon, Estados Unidos.

O jovem Eugene Allen, então ainda morador de uma fazenda de algodão, vê seu pai ser assassinado brutalmente pelo dono da fazenda e ainda tem a mãe estuprada pelo assassino.

Após esses acontecimentos trágicos, a mãe do fazendeiro covarde, vendo que o pequeno jovem não tinha mais ninguém, decide transformá-lo em um criado da casa. Com isso, Eugene Allen se transforma em um criado diferenciado, servindo de maneira única os convidados.

Com o tempo, Eugene já crescido e desenvolvido, ele deixa a fazenda onde cresceu e parte para a cidade para trabalhar em um hotel. Porém, sua história muda por completo quando uma oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente dos EUA, outros políticos e seus convidados aparece. Porém, é a partir daí também que alguns problemas familiares surgem e conflitos internos envolvem Eugene.

Esse filme retrata de maneira íntima e comovente o que os negros passam e passaram durante anos nos EUA. Conta a história de um mordomo que cresceu em fazendas de escravo e conseguiu ver um negro, Barack Obama, assumir a presidência dos Estados Unidos. O Mordomo da Casa Branca é de dar um nó na garganta de tantas emoções.

Netflix

12 Anos de Escravidão

Lançado também em 2013, 12 anos de Escravidão foi vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2014 e recebeu outras diversas indicações. O filme conta a história real de Solomon Northup, interpretado pelo grande ator Chiwetel Ejiofor. O premiado longa-metragem mostra a vida do jovem, então livre, Solomon Northup, vivendo com tranquilidade junto aos seus filhos e esposa em 1841. Porém, a vida do personagem principal muda drasticamente quando ele é sequestrado e vendido como um escravo.  

A história do filme se passa basicamente nesse momento terrível da vida do Solomon Northup. Passando de fazenda em fazenda, sem conseguir provar que era um homem livre, o personagem principal vive momentos tenebrosos, sofrendo todos os tipos de abusos que se pode imaginar. No meio desse turbilhão de emoções, acontecimentos e pessoas vão marcando a vida de Northup.

O filme 12 anos de Escravidão consegue levar o telespectador a fundo na história desse incrível homem que em momento algum deixou de sonhar pela sua liberdade. A cada segundo do filme é possível sentir as angústias e o sofrimento vividos pelos negros naquela época. Momentos esses que devem ser relembrados sempre para que possamos entender a atual conjectura do mundo.

Moonlight

Todos os filmes aqui citados são, além de ótimas ferramentas de reflexão sobre o racismo, excelentes filmes. Moonlight é o terceiro filme desta lista vencedor do Oscar de Melhor Filme. Lançado em 2016, dirigido por Barry Jenkins e escrito por Jenkins e Tarell Alvin McCraney, esse filme já é considerado um marco no cinema. O filme conta a história de Chiron em três etapas de sua vida.

O personagem principal é um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Na infância, o jovem sofria bullying e passava por diversos problemas familiares, o que acaba acarretando uma crise de identidade na adolescência do rapaz e o levando ao universo do crime e das drogas.

Todo o enredo é contado nas três etapas da vida de Chiron. As nuanças vividas pelo personagem e suas descobertas envolvem o público e prendem a atenção de uma maneira única. Esse filme retrata bem o racismo estrutural vivido pelos negros e suas lutas diárias para enfrentar os problemas da vida.  

Telecine Play

Infiltrado na Klan

Infiltrado na Klan é outro filme bastante premiado e que também foi indicado ao Oscar de Melhor Filme em 2019. O filme é uma impressionante história real de Ron Stallworth, interpretado por John David Washington, um policial negro do Colorado que conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local.

A trama se passa em 1978, ano em que esse incrível acontecimento se deu. Stallworth conseguiu entrar na seita e se comunicava através de telefonemas e cartas, e quando era preciso estar presencialmente no local, mandava seu colega policial branco, Philip "Flip" Zimmerman, interpretado por Adam Driver, no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron conseguiu virar um dos líderes da seita e conseguiu sabotar diversos planos de linchamentos e outros crimes de ódio organizado pelos racistas.

Esse aclamado filme do renomado diretor Spike Lee traz, de forma bem humorada, todo o peso do racismo e a sua pior face, que é a KKK. Essa inacreditável biografia real é ideal para quem quer enxergar os problemas vividos pelos negros há décadas e se deliciar com uma história incrível.

Chocolate

Temos aqui um lindo filme francês que retrata a luta de um ex-escravo cubano, Chocolat, para virar palhaço de circo. Rafael Padilha, interpretado por Omar Sy, nasceu em Cuba em 1968 e foi vendido como escravo quando ainda era uma criança. Tempos depois, Padilha foge e se esconde nas docas de um palhaço circense que passa a colocá-lo em suas apresentações. Em pouco tempo o jovem Padilha ganha o codinome Chocolat, tornando-se o primeiro artista circense negro de toda a França. Ele estourou no final do século XIX.

Essa é a história de um grande artista que saiu dos humildes picadeiros e foi parar nos respeitáveis teatros de Paris. Porém, sua imagem sempre esteve atrelada a um outro personagem, o inglês George Footit, com quem formou dupla com Padilha.

Essa parceria se dava pelo tipo clown branco autoritário e augusto negro sofredor. Essa relação é cercada de admiração, preconceito racial e muita controvérsia. É um filme obrigatório para quem quer começar a enxergar um novo mundo com novos olhos.

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